Pior do que gente feliz o tempo todo (morra, Sandra Annenberg!), é gente que quer impôr sua felicidade a todo mundo, assim como fazem os Testemunhas de Jeová com sua religião, os vegetarianos com suas comidas eco-saudáveis-não-coma-uma-vaca e os maloqueiros com seus malditos funks em alto e bom som no metrô.
Então, para facilitar as coisas, criei uma lista de 5 regras básicas que passam a vigorar a partir de 1° de janeiro de 2011 e que devem nortear o comportamento de todos os habitantes da Terra, para que ela (a Terra) continue sendo um local habitável. Acompanhem:
  1. Demonstrações públicas de felicidade só serão aceitas caso você tenha ganho na Mega Sena da Virada. Do contrário, limite-se a sorrir, em silêncio, no banheiro;
  2. “Bons dias” entusiasmados às 8 da matina serão punidos com: a) exibição de uma temporada completa de qualquer seriado musical adolescente; b) uma releitura teatral de Shakespeare; c) uma caixa de Bis limão;
  3. Realização de amigo-secreto da firma estão terminantemente proibidos;
  4. Álbuns de fotos “just me”, “vida” e qualquer outro termo genérico no Orkut e/ou Facebook não serão tolerados e serão, eventualmente, punidos com multa e detenção caso as pessoas das fotos estejam fazendo biquinho;
  5. Usar óculos de sol espelhado (na nuca) e/ou camiseta polo da Ferrari se torna crime inafiançável a partir da data de publicação deste post.

Nota: Presentear a tia solteirona no Natal da família com “Comer, Rezar, Amar” está permitido.

 

Ando tão à flor da pele
Que qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar flor na janela me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele tem o fogo do juízo final.

Zeca Baleiro

Não sei porque tanto circo em torno dessa história do Estadão ter declarado apoio ao José Serra. A imprensa americana faz isso há décadas, por que aqui isso seria impossível ou –arrisco– impensável? Declarar de que lado está numa disputa eleitoral mostra maturidade, coragem e respeito ao (e)leitor. Ou vocês acham que a Folha, Veja, Piauí e Carta Capital são menos parciais só porque não escreveram formalmente de que lado estão num editorial de domingo?

O fato é que –ênfase dessa parte– toda a imprensa se ofendeu com mais uma declaração estusiasmada do nosso presidente, mas o que se viu foram mobilizações isoladas e sem grande impacto. O único veículo que se posicionou declaradamente contrário à posição ditadorial do senhor Luis Inácio Lula Não-Falem-Mal-De-Mim da Silva foi o ‘Estado’. Uma atitude que deveria, sim, ser copiada pelos grandes jornais para pôr fim a essas enganação de imparcialidade jornalística.

É um direito do eleitor saber como o jornal que ele lê pensa e se comporta ante fatos de máxima importância como a democracia e a política deste país.

Vivo perdendo as coisas. Outro dia mesmo perdi a carteira, o celular e as esperanças. A carteira e o celular eu achei.

Ontem assisti Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are) e gostaria de vomitar alguns comentários sobre. Nota: não sou crítico de cinema, tampouco literário. O que descrevo a seguir são as minhas impressões pessoais sobre a adptação ao cinema do clássico de Maurice Sendak.

Vou começar pela trilha sonora. Composta quase exclusivamente por Karen O And The Kids, do Yeah Yeah Yeahs, as músicas soam infantis e ingênuas. As vozes das crianças dão um tom todo particular à composição musical, que abusa da percussão bem definida, mas não da maneira constante e linear de KT Tunstall, por exemplo, mas com intervalos que soam quase como improviso.

Segundo ponto: se eu precisasse definir um tema único para o filme, apostaria de olhos fechados no amor. Sei que isso soa piegas, cafona e — arisco — até clichê, mas não é. A busca exaustiva pelo auto-conhecimento por parte do menino Max norteiam toda a obra, que tem um quê todo cult, fora dos padrões hollywoodianos (tá, nem tanto), mas que transmitem através da fotografia impecável e do exercício de metáforas sobre o crescimento (e todos os medos envolvidos) uma experiência incrível pra quem assiste.

O universo imaginário criado pelo menino, com cada monstro representando um sentimento, é envolto em uma atmosfera dura, sombria e sem cores. Talvez seja essa a melhor ilustração do mundo estranho e desconhecido que todos passamos um dia, quando deixamos o conforto do nosso lar em busca de algo que não sabíamos o que era. Uma eterna e épica busca por algo ou alguém que nos dê sentido, um rei que nos proteja e diga o que fazer, tirando das nossas costas as responsabilidades pelos nossos erros e fracassos, alguém pra culpar, por fim.

Onde Vivem os Monstros é um filme lindo, tocante, inteligente e profundo, que já figura entre os meus preferidos.

Uma pesquisa recente do Datafolha aponta o Netinho de Paula (PC do B-SP) como o segundo candidato ao Senado em intenções de voto no estado de São Paulo. Acho que é prudente lembrar que este Netinho de Paula foi o terceiro vereador mais votado na cidade de São Paulo e que além de apresentar projetos pífios e mal feitos, foi um dos que mais faltou às sessões em 2010 — as informações são do projeto Adote Um Vereador.

Este candidato também agrediu o repórter Vesgo, do Pânico, durante uma entrevista – e foi condenado a indenizá-lo por isso. “A conduta do réu revela um descontrole que beira uma patologia psíquica e um total destemor às consequências de seus atos”, declarou a Justiça. Netinho também é lembrado por ter descido a mão na ex-mulher e está sendo investigado por suposto crime eleitoral, ao distribuir ingressos para shows em seu site de campanha.

Como se esses absurdos não fossem suficientes, Netinho agora se diz evangélico (e convenientemente arrependido), assim como uma cambada de políticos corruptos e criminosos que “encontram Jesus” e acreditam que seus crimes serão perdoados numa espécie de “foro privilegiado divino”. Mas essa blindagem cristã não nos engana, afinal, temos centenas de casos de crimes cometidos pelos ditos “evangélicos”, inclusive por pastores – vide Bispa Sônia e sua gangue da Renascer em Cristo que ainda não quitaram seus débitos com a justiça e se aproveitam da ignorância e desespero das pessoas pra enriquecer e tirar todo tipo de proveito.

O mais grave é quando o nosso presidente aparece em horário nobre da televisão condenando o preconceito contra a mulher e, depois, na maior cara lavada – ao lado de Dilma, Marta e Mercadante – pede votos para um agressor covarde como Netinho.

É por isso que afirmo publicamente que não voto em quem compactua com o crime. Não voto em Netinho de Paula, Marta Suplicy, Mercadante e Dilma Rousseff.

Abaixo estão os vídeos da minha participação no MTV Debate do dia 7 de setembro, que teve como tema O jeitinho brasileiro é um atraso para o Brasil?

Também participaram do programa mediado pelo Lobão, Cacá, vocalista da banda Copacabana Club; Cláudio de Oliveira, jornalista da Folha; Lola, professora de literatura em língua inglesa da Universidade Federal do Ceará; Rodrigo Mendes, responsável por uma pesquisa sobre “Brasilidades”; e Bruna Caram, cantora de MPB.

O cenário musical brasileiro, ora saturado de — aproveitando o jargão — novas vozes da música popular, ora pairando entre o anonimato e a genialidade, abre, aos poucos, espaço para a voz de Luisa Maita.

Ela, paulistana nascida no extremo da zona sul da capital, recebe ajuda do marido, Rodrigo Campos, quando o assunto é composição. Como dizem: duas cabeças pensam melhor do que uma. Nesse caso, duas cabeças produzem um som original, com letras pautadas na crua realidade urbana.

“Moleque se mandou atrás da rapariga/ Deixou Formiga no controle da favela/ Mas o diabo é que a donzela era do lar/ Já tinha dois barrigudinhos com Anescar.” São versos como esse que se distanciam das letras burguesas da bossa nova carioca e trazem uma a realidade das ruas em clipes com uma qualidade melódica e harmônica  impecável. A fotografia é um capítulo à parte.

Pra quem não for curtir a experiência ao vivo, dá pra ouvir um pouco em myspace.com/luisamaita. Recomendo.

Muito se fala sobre Responsabilidade Social Empresarial. Governos, meios de comunicação e ativistas adquiriram, ao longo das últimas décadas, o hábito de cobrar de empresas a responsabilidade pelas conseqüências geradas a partir de suas atividades, sejam elas de caráter econômico, ambiental ou social.

Porém, devemos enxergar a RSE de maneira diferente ao atual modelo-padrão desenvolvido por institutos peritos no assunto, e questionar a eficiência do famoso título dados àquelas empresas que se destacam em questões sociais, o velho jargão de “empresa socialmente responsável”.

O fato é que as estratégias de gestão empresarial freqüentemente se contrapõem às estratégias de uma área específica da empresa voltada diretamente às questões socioambientais. Isso acontece exatamente porque as organizações ainda não têm um parâmetro para seguir quando se trata de RSE; e o que vemos é um crescimento da já ampla literatura sobre tais assuntos, institutos sem fins lucrativos e acadêmicos sempre prontos a colaborar com empresas preocupadas (por pressão externa, na maioria das vezes) com a comunidade. Mas, na prática, tudo de se limita a ações pontuais e sazonais, e não raramente, pura filantropia.

O problema-chave que as empresas enfrentam é geralmente de caráter tático, visto que a RSE é tida em muitas empresas apenas como parte do marketing e da publicidade envolvidos, e não como fator integrante da sua estratégia empresarial. Prova disso são os relatórios anuais das ações desenvolvidas pelas organizações, geralmente desconexos, pontuais, com expressivas considerações aos valores investidos, mas sem um levantamento dos benefícios em longo prazo dessas atividades, o que acaba causando dúvidas quanto às verdadeiras intenções da empresa que tenta demonstrar sua sensibilidade social, mas sem se preocupar com o verdadeiro efeito deste investimento.

Portanto, pode-se afirmar que a RSE ainda tem muito a se desenvolver e que hoje paira entre a filantropia e ações que agem em pontos de atrito entre a sociedade e empresas privadas, e, claro, muito longe de se chegar a um modelo sustentável ideal.

Odeio o jeito que você fala comigo;
odeio seu humor,
suas piadas;
odeio suas roupas
e como você corta o cabelo;
odeio seu perfume;
odeio sua beleza;
odeio o toque do seu celular;
odeio sua voz
e as suas músicas.
Odeio como você me olha —
com esse olhar arrogante;
odeio quando te pergunto
e você não responde;
odeio quando não pensa em mim,
ou quando penso demais em você;
odeio o jeito que você termina uma conversa ao telefone,
ou quando não me liga;
odeio ter que te esperar
eternamente, às vezes.
Odeio quando não me quer,
ou quando te quero demais;
odeio a tua felicidade,
por saber que não se estende a mim —
ou não me inclui,
ou não me cabe.
Odeio saber que a sua vida continua
separada da minha;
odeio ter que te perder,
e te ganhar a cada dia;
odeio chorar por você,
e saber que você não chora por mim.
Mas o que eu mais odeio
é não poder te odiar.