Ontem estava conversando com uma amiga que vive em Quebec, no Canadá, e estava lhe contando as últimas novidades sobre minha vida mediana e sobre as peripécias dos nossos políticos cá por essas bandas tupiniquins. Confesso que, enquanto explicava o esquema de uso de passagens aéreas pelos parlamentares e suas respectivas famílias, fui me envergonhando.

Cheguei ao ponto de me pegar minimizando conscientemente as merdas que acontecem na vida política desse país, como costumamos fazer quando conversamos com qualquer gringo. Senti vergonha. Enquanto conversávamos, via skype, a TV estava ligada no noticiário que vomitava mais umescândalo no nosso parlamento: as almadiçoadas-sejam-para-todo-o-sempre passagens aéreas. Quanto mais eu falava, mais raiva sentia dos políticos, mais vergonha sentia de ser brasileiro. Com o tempo, fui me sentindo injustiçado, lesado, corrompido, roupado por um bando de políticos desonestos, com seus discursos jocosos que me dão ânsia de vômito.

O Brasil é um país de controvérsias dentro de controvérsias. O povo caloroso, amigo, bola pra frente, de bem com a vida, na verdade é um povo burroignorante, que se esconde por trás de uma máscara de cordialidade pra omitir suas misérias, suas fraquezas, sua incapacidade de tomar uma iniciativa pró-ativa em favor dele mesmo! Assistimos às barbaridades na TV e terminamos com um sonoro e imbecil “Ê Brasilzão que não tem jeito”.

Somos uns otários. E eu me incluo na lista de imbecis-mór da nação. Somos feitos de idiotas o tempo todo. Os malditos políticos do antro da corrupção nacional chamado Brasília, riem da nossa cara, enquanto pagamos nossos malditos impostos. E que impostos! E pra quê? Pra sustentarmos o parlamento mais caro do mundo com suas infinitas regalias!

E quer saber: esse país é uma merda e seus políticos são as escória da humanidade. Aproveito a oportunidade e assumo publicamente meu mais profundo sentimento de vergonha.

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