Deitei a cabeça no travesseiro como tantas outras vezes fiz sem sequer notar ou perceber o ato. Devaneios invadiram a minha mente e levaram meu sono. Lutei, em vão. Estaria fadado a passar (mais) uma noite em claro, segurando um livro que não leio e um chá que não bebo. Odeio chá.
A janela não continha o frio e vibrava à vontade do vento. O silêncio era ensurdecedor, insuportável! Entrava pelos meus ouvidos alertas e confundiam meu cérebro que ansiava por um som reconhecível. Nada. Nada além do barulho dos pensamentos, que se amontoavam em ondas indo e vindo, num emaranhado confuso de sensações. O chá estava esfriando. Mas eu odeio chá!
Senti como se a cama desaparecesse. Caí num abismo imenso, quase sem fim. Sabia que poderia me machucar. Mas reconheci a queda. A dor da queda. Não era a primeira vez que caía. Lá no fundo, em pedaços, só esperava olhando para cima, para o breu. Tudo então se tornou familiar, ademais, já estivera lá muitas vezes.
O chá esfriou.
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