Chego espantando as moscas do blog pra contar no melhor estilo querido-diário como foi o meu dia hoje.

Custei a levantar da cama às 8 da manhã de um domingo gélido. As janelas estavam embaçadas e não se via nada do lado de fora — a neblina era densa e molhada. No caminho do ponto de encontro do grupo, a sensação de que “devia ter pego mais uma blusa” era inevitável.

Tudo começou no antigo prédio da Usina Santa Bárbara, outrora motor de desenvolvimento econômico da cidade, e, hoje, palco de eventos culturais abertos ao público.

Bom, chegamos no horário marcado, 9h, para separar as equipes e receber as orientações sobre como seria a caminhada de duas horas dentro da mata fechada. Cada grupo de 5 pessoas recebeu um mapa, identificação, e as instruções: a cada meia hora de caminhada, seguindo a rota, encontraríamos um Posto de Controle (PC), onde receberíamos instruções de como continuar e nosso mapa seria carimbado com o horário que passamos por cada um deles. No final, quem cumprisse melhor o tempo pré-estabelecido, venceria a prova.

No mapa, haviam ilustrações de lagos, riachos, quedas d’água, descidas, subidas e alguns pontos de referência. Se alguém se perdesse teria que morar pra sempre no meio do mato, encontrar uma família de lobos disposta a te adotar e um dia virar tema de filme. Por isso, como ninguém quer bancar uma Tarzan, menino-lobo ou qualquer outro personagem do gênero, seguimos à risca as orientações, inclusive com a contagem de passos exata, presente em alguns pontos.

O vídeo abaixo foi de quando encontramos o primeiro PC. Todo mundo ainda limpo e não tão cansado. Mal sabíamos o que nos esperava.

Nessa etapa, por causa da corrida, já havíamos nos livrados das blusas, embora o pessoal do PC ainda estivesse com muita roupa, luvas, cachecóis… Seguimos.

Passamos por riachos, atolamos o pé até as canelas no meio da lama, passamos por baixo da Rodovia dos Bandeirantes, por uma tubulação onde corre água da chuva (medo!). Subimos e descemos encostas, barrancos, ora com ajuda de cordas, ora sem nada pra se segurar além dos cipós e raízes das árvores.

Na última etapa, depois de quase duas horas andando no meio de um pedacinho da Mata Atlântica, nos perdemos. Olhamos o mapa, voltamos até a última etapa e seguimos pelo caminho certo, até que, por um descuido besta, a Viviane, membro da nossa equipe, caiu e torceu o tornozelo. Ahhhhh!

Sabe aquela sensação de perder a Copa do Mundo? Por um minuto achei que havia sido uma torção boba, mas o pé dela começou a inchar. Pegamos uma garrafa com água congelada, rasgamos no dente (mentira, usamos uma chave) e colocamos o gelo no lugar que continuava inchando. Demos o sinal de ajuda e em alguns minutos, dois guarda-vidas chegaram com material pra fazer um curativo rápido.

Nisso, nós que estávamos em segundo lugar, fomos ultrapassados por todas as equipes retardatárias. Estávamos no meio de um cafezal, debaixo de um sol desgraçado que já havia secado toda a neblina e agora torrava nossos cérebros. Depois de intermináveis 30 minutos (que pareceram 30 décadas), o resto da equipe chegou com maca e mais materiais de primeiros socorros.

Depois dessa, não restava muita coisa a fazer. Faltava pouco para chegar à margem da Bandeirantes. Lá, um carro já esperava pra levar a cidadã ao hospital. Mesmo eu tendo insistido muito, não chamaram a ambulância. Não que precisasse, mas seria bem mais cinematográfico e tal. Enfim, não se pode ganhar todas.

Pra não ter que voltar por baixo da pista, pela tubulação de água, por onde viemos anteriormente, o jeito foi cortar caminho por ali mesmo. Deu um pouco de medo de morrer ao atravessar aquela pista onde as Ferraris passam a 200km/h, mas deu tudo certo.

Foi assim. Outro desse só no ano que vem. Não vejo a hora!

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