Vou caminhar e me deprimir. Eu tô louco pra ficar triste. Eu nunca posso — tem sempre alguém do meu lado que merece ficar triste mais do que eu. Agora que tá todo mundo bem, eu vou aproveitar e me deprimir. Mas vocês não se preocupem, é coisa de uma hora só, no máximo. Eu caminho pelo mato. Me deprimo. Aí deito deprimido, durmo deprimido e acordo morto de fome.

Do curta-metragem Estrada, com direção de Jorge Furtado.

Vivo perdendo as coisas. Perco as horas. Perco ônibus. Perco o celular. Perco a carteira. Perco peso. Perco os óculos. Perco o porta-lápis do burro do Shrek. Perco o juízo. Perco a vontade de escrever. Perco dinheiro do Banco Imobiliário. Perco amigos. Perco a agenda. Perco aspirinas. Perco tempo. Perco post-its. Perco a razão. Perco moedas. Perco aquela caneta superchique que ganhei de aniversário. Perco programas de TV. Perco entradas de teatro. Perco cabelo. Perco uma idéia revolucionária. Perco a paciência. Perco a palheta. Perco cartas de baralho. Perco dados de jogo de tabuleiro.

Daqui uns dias me perco e não me acho mais.

A TV Cultura exibe amanhã à noite o filme A Estrela Perdida, que conta a história imigração norte-americana para o Brasil no período pós-guerra civil, bem como os núcleos que se instalaram por aqui, principalmente o de Santa Bárbara d’Oeste (SP), que abriga a maior colônia americana do mundo.

Tentei copiar o embed do vídeo pra cá, mas não deu, então você consegue ver o vídeo aqui.

Agradecimentos a Yohana pelo achado : )

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinícius de Moraes)

Pode o amor com sua falta
envolver-me em amarguras –
pode uma neurose obscura
cutucar-me, na psique, algo
que (e quem sabe?) não descubro –
pode haver doenças, desastres,
desquites, dívidas, desavenças –
pode ser que tudo mude
ou permaneça a mesma sem-graça
cotidiana existência estapafúrdia –
pode chover canivetes
ou estrôncio, que é mais chique –
pode haver quem não tenha tiques,
faça, impávido, bhakti-yoga:
o fato é que não me encanto
nem me espanto nem corro às léguas.
Fico quieto no meu canto.

E vão à pura merda ids e egos.

(Antônio Brasileiro, via Baú da Princesa)

-Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também, mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?
-Eu.

(Caio Fernando Abreu)

Fiz uma canção
Pra declarar minha saudade
Do tempo em que a alegria dominou meu coração
Eu era bem feliz
Mas desabou a tempestade
Levando um lindo sonho pelas águas da desilusão
Eu fiz uma canção
Pra declarar minha saudade
Usei sinceridade que
Me dá certeza que você
Quando ouvir o meu cantar,
Vai se lembrar que deixou
Do lado esquerdo do meu peito essa dor
Que tá difícil de curar
Tenho certeza que você
De onde ouvir
Meu soluçar em forma de uma canção
Vai se lembrar que nosso amor é tão bom
E que pra sempre vai durar.

(Jr. Dom / Arlindo Cruz)

Chego espantando as moscas do blog pra contar no melhor estilo querido-diário como foi o meu dia hoje.

Custei a levantar da cama às 8 da manhã de um domingo gélido. As janelas estavam embaçadas e não se via nada do lado de fora — a neblina era densa e molhada. No caminho do ponto de encontro do grupo, a sensação de que “devia ter pego mais uma blusa” era inevitável.

Tudo começou no antigo prédio da Usina Santa Bárbara, outrora motor de desenvolvimento econômico da cidade, e, hoje, palco de eventos culturais abertos ao público.

Bom, chegamos no horário marcado, 9h, para separar as equipes e receber as orientações sobre como seria a caminhada de duas horas dentro da mata fechada. Cada grupo de 5 pessoas recebeu um mapa, identificação, e as instruções: a cada meia hora de caminhada, seguindo a rota, encontraríamos um Posto de Controle (PC), onde receberíamos instruções de como continuar e nosso mapa seria carimbado com o horário que passamos por cada um deles. No final, quem cumprisse melhor o tempo pré-estabelecido, venceria a prova.

No mapa, haviam ilustrações de lagos, riachos, quedas d’água, descidas, subidas e alguns pontos de referência. Se alguém se perdesse teria que morar pra sempre no meio do mato, encontrar uma família de lobos disposta a te adotar e um dia virar tema de filme. Por isso, como ninguém quer bancar uma Tarzan, menino-lobo ou qualquer outro personagem do gênero, seguimos à risca as orientações, inclusive com a contagem de passos exata, presente em alguns pontos.

O vídeo abaixo foi de quando encontramos o primeiro PC. Todo mundo ainda limpo e não tão cansado. Mal sabíamos o que nos esperava.

Nessa etapa, por causa da corrida, já havíamos nos livrados das blusas, embora o pessoal do PC ainda estivesse com muita roupa, luvas, cachecóis… Seguimos.

Passamos por riachos, atolamos o pé até as canelas no meio da lama, passamos por baixo da Rodovia dos Bandeirantes, por uma tubulação onde corre água da chuva (medo!). Subimos e descemos encostas, barrancos, ora com ajuda de cordas, ora sem nada pra se segurar além dos cipós e raízes das árvores.

Na última etapa, depois de quase duas horas andando no meio de um pedacinho da Mata Atlântica, nos perdemos. Olhamos o mapa, voltamos até a última etapa e seguimos pelo caminho certo, até que, por um descuido besta, a Viviane, membro da nossa equipe, caiu e torceu o tornozelo. Ahhhhh!

Sabe aquela sensação de perder a Copa do Mundo? Por um minuto achei que havia sido uma torção boba, mas o pé dela começou a inchar. Pegamos uma garrafa com água congelada, rasgamos no dente (mentira, usamos uma chave) e colocamos o gelo no lugar que continuava inchando. Demos o sinal de ajuda e em alguns minutos, dois guarda-vidas chegaram com material pra fazer um curativo rápido.

Nisso, nós que estávamos em segundo lugar, fomos ultrapassados por todas as equipes retardatárias. Estávamos no meio de um cafezal, debaixo de um sol desgraçado que já havia secado toda a neblina e agora torrava nossos cérebros. Depois de intermináveis 30 minutos (que pareceram 30 décadas), o resto da equipe chegou com maca e mais materiais de primeiros socorros.

Depois dessa, não restava muita coisa a fazer. Faltava pouco para chegar à margem da Bandeirantes. Lá, um carro já esperava pra levar a cidadã ao hospital. Mesmo eu tendo insistido muito, não chamaram a ambulância. Não que precisasse, mas seria bem mais cinematográfico e tal. Enfim, não se pode ganhar todas.

Pra não ter que voltar por baixo da pista, pela tubulação de água, por onde viemos anteriormente, o jeito foi cortar caminho por ali mesmo. Deu um pouco de medo de morrer ao atravessar aquela pista onde as Ferraris passam a 200km/h, mas deu tudo certo.

Foi assim. Outro desse só no ano que vem. Não vejo a hora!