Por Glória Kalil
Nem um chefe de Estado, nem o Papa, nem a família Obama inteira causariam mais alvoroço em uma cidade do que a presenças das cantoras Beyoncé, Alicia Keys e Madonna no Rio de Janeiro. Aliás, para as cidades, porque São Paulo também não ficou imune a essa confusão, uma vez que Madonna veio passar algumas horas por aqui para uma visitinha ao governador. Isso depois de mandar seus seguranças particulares virem antes até o palácio do governo para verificar se o local era suficientemente protegido para recebê-la. Pode uma coisa dessas? E o Palácio se submete docilmente a essa inversão de posições. Ora, façam-me o favor.
As três moças em questão são artistas famosas, têm fãs pelo mundo todo, faturam horrores, mas nada disso justifica essa histeria em volta delas. Especialmente por parte dos empresários, banqueiros ou por parte de autoridades. Governadores imploram atenção delas (e da mídia), mandam helicópteros buscá-las para tirarem fotos ao seu lado, mandam fechar ruas para que elas possam passear, convidam para suas casas, palácios, camarotes como se tratassem de seres de outro planeta que viessem tirar o país de algum buraco, de uma guerra ou de alguma calamidade.
Que o presidente do Haiti receba Angelina Jolie (que contribuiu com um milhão de dólares do seu bolso para a recuperação do país), ou que venha a fazer a mesma coisa com Gisele Bündchen (que doou 1 milhão e meio), ainda se entende. Mas se é só por que vieram para fazer um show, onde faturam o que querem e o que pedem, não vejo nenhum sentido. Acho até um pouco humilhante, não acham não?