Muito se fala sobre Responsabilidade Social Empresarial. Governos, meios de comunicação e ativistas adquiriram, ao longo das últimas décadas, o hábito de cobrar de empresas a responsabilidade pelas conseqüências geradas a partir de suas atividades, sejam elas de caráter econômico, ambiental ou social.

Porém, devemos enxergar a RSE de maneira diferente ao atual modelo-padrão desenvolvido por institutos peritos no assunto, e questionar a eficiência do famoso título dados àquelas empresas que se destacam em questões sociais, o velho jargão de “empresa socialmente responsável”.

O fato é que as estratégias de gestão empresarial freqüentemente se contrapõem às estratégias de uma área específica da empresa voltada diretamente às questões socioambientais. Isso acontece exatamente porque as organizações ainda não têm um parâmetro para seguir quando se trata de RSE; e o que vemos é um crescimento da já ampla literatura sobre tais assuntos, institutos sem fins lucrativos e acadêmicos sempre prontos a colaborar com empresas preocupadas (por pressão externa, na maioria das vezes) com a comunidade. Mas, na prática, tudo de se limita a ações pontuais e sazonais, e não raramente, pura filantropia.

O problema-chave que as empresas enfrentam é geralmente de caráter tático, visto que a RSE é tida em muitas empresas apenas como parte do marketing e da publicidade envolvidos, e não como fator integrante da sua estratégia empresarial. Prova disso são os relatórios anuais das ações desenvolvidas pelas organizações, geralmente desconexos, pontuais, com expressivas considerações aos valores investidos, mas sem um levantamento dos benefícios em longo prazo dessas atividades, o que acaba causando dúvidas quanto às verdadeiras intenções da empresa que tenta demonstrar sua sensibilidade social, mas sem se preocupar com o verdadeiro efeito deste investimento.

Portanto, pode-se afirmar que a RSE ainda tem muito a se desenvolver e que hoje paira entre a filantropia e ações que agem em pontos de atrito entre a sociedade e empresas privadas, e, claro, muito longe de se chegar a um modelo sustentável ideal.